segunda-feira, 18 de maio de 2020

Uma bicicleta no meio do caminho

Costumo ir para o trabalho de bicicleta. De Petah Tikva a Tel Aviv, via Parque Yarkon. Às vezes de elétrica, outras, menos, de bike normal. Uma hora de percalços. Naquela manhã, ia de elétrica. Entrando no Parque Yarkon, a corrente da bicicleta prendeu e travou a roda traseira. Depois de ficar com as mãos pretinhas de óleo da corrente recentemente lubrificada, não consegui consertá-la, e a roda continuou travada. Nesse mexe-mexe, a cesta que fica na traseira da bike se soltou e caiu. Tive que deixá-la escondida no mato, para pegar na volta... Coloquei a mochila nas costas, com a matula para o dia inteiro dentro, e fui empurrando a bike em cima da roda dianteira apenas: peso, calor, suor... E eu estava toda chiquezinha, animada para o início da semana, com volta à normalidade após sessenta dias de isolamento pelo coronavírus.

Decidi ligar para um amigo que mora perto do parque, para deixar a bike na casa dele e pegar, de carro, à noite... Nesse momento, vi que havia esquecido o celular em casa! Pare o mundo que eu quero descer, pensei - rsrsrs. Então resolvi largar a bicicleta no parque, sem cadeado, levando a bateria comigo e ir procurar uma linha de ônibus nas imediações - snif, snif... (não tinha celular para colocar emojis de choro -rsrsrs).

Daí caiu do céu uma alma boa... (mãozinhas postas, agradecendo a Deus). Um rapaz (argentino que reconheceu meu sotaque brasileiro rsrsrs) que estava com a esposa, religiosos, me ofereceu ajuda. No final, conseguiu soltar a corrente e eu pude chegar até o trabalho.

Chegando ao Centro Cultural Brasileiro, o ar-condicionado não funcionava! Estávamos naqueles dias de calor insuportável em que sopra o vento sul do deserto (mais snif, snif, choro, rsrsrs). Sem celular, a bike por arrumar, sem ar-condicionado, naquele calor! Troquei a bateria do controle remoto e nada. Respirei fundo, retirei as pilhas novas, limpei resquícios da anterior... e nada. Pensei: melhor manter a calma. Antes de solicitar visita técnica, um longo processo burocrático, decidi "pedir ajuda aos universitários" - rsrsrs.

Acessei o whatsapp no meu computador do trabalho, rezando para ele não me pedir bar-code para conectar, pois, nesse caso, precisaria do celular, e isso acontece de vez em quando... Ok, deu certo.

Mandei uma mensagem para o Yossi. O tsadik Yossi Sterenberg, eletricista faz-tudo, nosso vizinho na região, perguntando se ele estava por perto. Passou quase nada, e ele apareceu à porta de patinete elétrica (mais uns emojis de mãos postas em agradecimento); subiu na escada e ligou manualmente os comandos que ficam num aparelhinho perto do teto, referente ao ar-condicionado central. Tudo voltou a funcionar! Pode ser que tenha caído a eletricidade no fim de semana, disse o Yossi, e o comando tenha se desconectado...

Então o Yossi falou: Rachel, você tem que quebrar três ovos, um para cada problema... Eu disse, eu não tenho ovos. Pronto, dei por finalizado o assunto. Mil agradecimentos. Ele insistiu, você tem que quebrar alguma coisa... Eu nem ligando... Ainda na porta, ele disse, Rachel, quebra um lápis...

Insistiu tanto que, depois que ele se foi, lá fui eu quebrar um lápis em capara por todos os desacertos da manhã -rsrsrs. Talvez Yossi tivesse razão... Melhor não arriscar...

Olhei para o relógio e eram 9h40 da manhã de segunda, 18 de maio de 2020. Estava pronta para começar o novo dia. Faltava apenas o café... E, na hora do almoço, dar um pulinho na loja para revisar a bicicleta antes de voltar para casa (risos, mãos postas, flores para o moço do parque e para o Yossi!)

Tel Aviv 18.5.2020

Parque Yarkon

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