A pessoa mais maravilhosa que conheci,
pois ela é A minha mãe.
Aos 97 anos,
há seis, está em cadeira de rodas e de cama.
Já não fala, nem se movimenta,
ainda assim é risonha e alegre na maioria do tempo.
Estar rodeada pela família é sua maior alegria.
Vê-se em seu rosto.
Gosta também que cantemos pra ela
as canções que cantava pra gente.
O otimismo, a hospitalidade, a conformidade
com o que lhe coube na vida
e a fé em Deus são suas marcas.
Era bordadeira e costureira de mão cheia,
seus filhos andavam sempre bem cuidados.
Formada no magistério, era muito exigente com a gente;
tínhamos que brilhar na escola.
Não sabia se expressar em carinhos físicos,
mas era carinhosa em cuidados.
Costurava, fazia todos os tipos de doces em tachos e deliciosas quitandas;
contava histórias e cantava pra gente;
contava histórias e cantava pra gente;
viajava conosco pra Patos, Dores e para a fazenda,
nos acompanhava em médicos,
nos obrigava ir à missa no fim de semana,
a ter obrigações fixas dentro de casa.
Aos domingos, nos levava ao Parque Municipal ou ao Minas Tênis.
Nunca usava calças compridas ou roupas sem mangas.
Já avó de muitos netos, quando veio me visitar em Israel, em 1995,
estava muito frio, e eu comprei duas calças para ela. Como aqui ninguém a conhecia, se encheu de coragem e,
aos 72 anos, vestiu suas primeiras calças compridas, e nunca mais as deixou.
Apesar de enérgica na lida com os filhos,
teve sempre a personalidade calma e mansa.
Um anjo em nossas vidas.
Nosso esteio, a base de onde pudemos alçar nossos voos seguros,
com a certeza de que ela estaria sempre em casa, firme e forte.
E continua assim, em sua majestade,
ainda que muito frágil.
Já não reconhece quem é quem, mas tem lampejos de lucidez
e a certeza de que aqueles que a cercam são todos sua família.
Seu exemplo de vida é imensurável.
E quem a conhece, sabe que não é exagero.
Possa a mãe e avó zelosa, cumpridora de seus deveres,
ser amparada com amor e carinho, hoje e sempre.



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