sábado, 13 de dezembro de 2025

Festa Nova e o Cemitério de Carros

Como testemunha do massacre de 7 de outubro à população do sul de Israel, visitei o local do Festival Nova de música em memória dos 360 jovens pacifistas, amantes da música e da dança, vítimas inocentes que encontraram o seu fim ali, enquanto outros 40 foram sequestrados dali para Gaza, e centenas ficaram gravemente feridos, só neste local.  

A invasão do território israelense pelo Hamas, com cerca de 6 mil homens na manhã de 7 de outubro de 2023, deixou um rastro de destruição com 1.200 mortos, 4.500 feridos e 240 reféns, tudo em menos de 24 horas - em proporção, seria como dizimar 40 mil e sequestrar 5 mil norteamericanos, se a invasão fosse nos Estados Unidos. 

Entre as vítimas do Festival de música estavam os brasileiros Bruna Valeanu, Ranani Glazer, Karla Stelzer, além de dezenas de outros brasileiros que lá se encontravam, já que a festa era uma adaptação do Festival Universo Paralelo do DJ brasileiro Alok. Inclusive o pai dele, Juarez Petrillo, estava no palco quando os alarmes antibombas começaram a soar. Perdeu a vida também em Reim, Michel Nisenbaum, brasileiro guia de turismo, que morava na região, e que estava em seu carro fazendo viagens para salvar pessoas, quando foi assassinado. Seu corpo foi levado para Gaza, onde mais de uma depois foi resgatado pela IDF, enterrado em um dos túneis de Gaza com mais dois jovens israelenses que estavam na Festa Nova.

Visitar o memorial em Reim foi para mim, que acompanho tudo muito de perto e conheço histórias e nomes, um processo doloroso e catártico, mas algo que eu precisava viver e testemunhar para a posteridade. 

Próximo ao local do Festival há um cemitério dos carros destruídos naquele dia. São mais de 1.500 carros empilhados em tal nível de destruição que fica difícil reconhecer que aquilo são veículos... 

No cemitério de carros, há destaque especial para jovem Ben Shimoni, que em seu carro salvou a vida de cerca de 50 jovens. Por ser da região, Ben conhecia os caminhos, foi e voltou quatro vezes, até que teve sua vida ceifada por terroristas armados. Outros também fizeram o mesmo que Ben, como Michel Nisenbaum, segundo testemunhas sortidas por ele. 

Fica aqui o meu registro dessas pequenas histórias e da minha reverência às vítimas de 7 de outubro, àquelas que morreram inocentemente em suas casas e na Festa Nova e àquelas que morreram lutando. "Nunca mais", referência à Shoá (Holocausto), deveria ter sido realmente nunca mais...

Raquel Teles Yehezel 

1.7.2024

Em memória de Bruna Valeanu 

Em memória de Ranani Glazer

Pai e filha com paralisia cerebral mortos no Festival Nova, a adolescente adorava as festas de música 


Cemitério dos carros de 7 de outubro de 2023

O carro de Ben Shimoni, que salvou cerca de 50 pessoas até perder a própria vida





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