Eu e meus conterrâneos, claro, endossamos rapidamente esse concurso... rsrsrs Mas, meu pai, vivo àquela época, iria muito muito mais longe, pois sempre elegeu Dores como o mais belo município do mundo... talvez perdesse apenas para a beleza imaginada dos campos da Itália, terra de seus ancestrais maternos, onde nunca chegou a pisar. Uma vez, quando ele estava bem velhinho, eu visitei a Irlanda com meu marido (fomos ver um show de Neil Young em Dublin e outro de Crosby, Still e Nash em Cork) e tirei fotos lindas dos campos irlandeses, com pequenas propriedades rurais e gado nos pastos tranquilos. Ao retornar a Belo Horizonte e visitá-lo, então vivendo os últimos anos de sua vida no apartamento de mamãe no Luxemburgo, quis mostrar-lhe as lindas fotos rurais da Irlanda. Sabendo que a visão de campos verdejantes o alegrava, tive o disparate de inventar que aquelas fotos eram na Itália, só para ver a alegria se estampar no rosto dele. E, aos 97 anos, ele me disse que ainda sonhava visitar a Itália. Dessa forma, sentado à frente da tela do computador, lhe proporcionei um passeio por terras ancestrais...
Mas, voltando à Dores do Indaiá, terra boa de morar, como ele costumava brincar, não havia uma única vez que viajássemos por esses descampados de colinas verdes a perder de vista, que ele não exaltasse a beleza desses campos, das águas que banham toda a região, dos nossos belíssimos coqueirais de indaiás e macaúbas, da vista azul da Serra da Saudade e do gado bem alimentado nos pastos.
Pensar em Dores do Indaiá é voltar a Emídio Teles de Carvalho (por isso retorno sempre que posso), que, filho dorense há gerações, amava seu torrão natal e o cantava em versos e em qualquer conversa que tivesse oportunidade. Nunca conheci ninguém que tanto amasse a terra natal e esse amor obviamente entranhou-se em meus irmãos e em mim.
Em um de seus poemas, papai pede para ser enterrado em Dores, e que lhe deixássemos uma pequena fresta para que pudesse ver esses "belos campos alcatifados de flores". E assim o fizemos, atendendo a seu pedido, descansa em sono eterno junto a seus pais, irmãos e sobrinhos, no túmulo dos Telles de Carvalho, que ele mesmo mandou construir, à direita de quem entra na rua principal do cemitério Cristo Rei, em Dores do Indaiá.
Texto de Raquel Teles Yehezkel
Dores do Indaiá by Eduardo Guimarães

São tão carinhosas suas palavras e suas lembranças de seu saudoso Pai, Raquel, que nos sentimos pequenos para acrescentar mais qualquer comentário a respeito. Sem mais comentários à fidelidade do amor do Sr. Emídio à nossa linda Dores e à ternura de seu texto.
ResponderExcluir😣😣😣💔💔💔😭😭😭👐👐👐💔💔💔
ResponderExcluirMuito tocande o texto.O seu lirismo traduz a paixão de seu pai pelas terras dorenses...
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