domingo, 5 de abril de 2020

Em tempos de corona

Demorou, mas a ficha caiu. Custei a entender o que os especialistas vinham tentando nos explicar: a vida não vai voltar ao normal; tão cedo não voltaremos à rotina que tínhamos antes da pandemia, demorando bem mais do que podíamos imaginar. A covid 19 veio para ficar, e vai continuar atacando, às vezes fraca, outras, de forma letal, até que surja uma vacina eficiente ou quando, finalmente, a maioria da população estiver imunizada através do contágio. Fora isso, nos resta tentar manter o controle através de números e gráfico achatados, no país e no mundo inteiro. Até lá, vamos continuar o isolamento social, ainda que de forma mais relaxada: redução de pessoas em locais de trabalho, transportes públicos, eventos sociais. Enquanto, também, vamos continuar combatendo com restrições mais severas focos regionais, onde os números são mais altos, na tentativa de mantê-los dentro de limites que permitam uma rotina produtiva, até que descubram uma vacina eficiente.

Em Israel, estamos na quarta semana de isolamento; a curva já achatou, e, à princípio, a epidemia está sob controle. Assim, pretende-se começar a liberação do isolamento, gradativamente, após a semana de Pessach (a Páscoa judaica), que termina em 18 de abril. Mas estamos longe, o mundo todo, de voltar à normalidade.

Parece que teremos de começar a pensar em novas estratégias para a vida, novas formas de manter nossas necessidades, atividades e negócios. E mudar implica em saída da zona de conforto: movimento, adaptações, inovações, agilidade, perdas e ganhos. Mudança total no tabuleiro da vida...

Marcus meu irmão me disse que essa é um previsão pessimista. Do Brasil, me gravou um áudio falando tudo o que eu havia dito acima, mas de maneira mais pragmática, como é seu modo de ser. Preocupado, disse para eu não ficar pessimista, que ele garante que a partir de julho, agosto, ainda que gradativamente, vamos voltar à normalidade.

Achei graça no "te garanto", mas quando Marcus afirma alguma coisa, eu confio nele, com segurança. Ele tem a lógica matemática dos gênios e a capacidade de ouvir dos justos. Uma receita para poucos, pois é capaz de enxergar, de ouvir e de mudar. Marcus é o caçula de casa e o presidente daquela que deve ser a maior cadeia de livrarias do Brasil. E isso diz muito dele. Quando muitos estão a caminho da recessão, ele lidera com calma, passo a passo, com segurança, sem atropelar, com simplicidade, paciência e ouvidos. De sua gerência democraticamente partilhada com seu board, entre funcionários e seus familiares, mais de duas mil pessoas dependem diretamente dessa gerência.

E ele vem acompanhando de perto nossa experiência em Israel. Pediu-me para lhe passar as medidas de contenção adotadas aqui, pois estamos à frente de muitos países, acompanha nossos números e quer saber quais serão as regras para a volta gradual à vida econômica do país

Marcus, meu irmão, me disse para eu não ficar triste, que minha previsão é pessimista. Que ele me garante que do fim de julho em diante o mundo estará voltando, aos poucos, à normalidade. Ainda que um pouco diferente... E eu confio no Marcus.

Israel, Pessach 2020

Tel Aviv, foto ilustrativa

4 comentários:

  1. Pois é Raquel! Na sua casa todos são fortes... Cada um do seu jeito. Ė a família grande. Os americanos chamam de família estendita.Esta família atual chamam de nuclear. O individualismo fica latente demais e as soluções muito idealistas. É como a polarização política que vemos hoje no mundo.A tendência estendida volta ao convívio mais coletivo como nossos pais ainda experimentaram e perca da extratificação explícita e preconceito.

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  2. Sorte tua Raquel, ter um irmão com tanta inteligência e sensibilidade!
    Fique respeitando a regras e sugira á todos fazer o mesmo para evitar ou conter o contagio Covid19, e em breve sairemos fora na "nova era"
    Fique serena

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  3. Obrigada, querida Annalysa. Possa a querida Itália se recuperar momento tão difícil. Nossos corações estão com vocês.

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