Dia de luminosidade especial,
de primavera em tons de verdes e azuis,
poesia que só a natureza é capaz de criar...
Nela, busco passagem pra,
novamente, encontrar a ponte,
o laço que nos liga à humanidade,
e anseio isso pra já...
Esta é uma promessa que há muito foi feita...
Em que lugar seguro descansarei a cabeça
senão em você?
Sonhei que você já estava aqui...
mas ainda te espero...
Em meio à guerra
gerações inteiras pagam o preço,
os que vão, os que ficam...
Ruínas, desgaste infinito...
Será possível voltar a escrever poesia
sem dor?...
Mais um poema se levanta
atordoado...
E mais uma vez
desce a noite sobre nós...
Medo,
feridas abertas...
Um vento sopra
na esperança de alívio,
de cura...
E você passa ao meu lado,
mas não fica...
De novo some,
desaparece...
Fica como saudade,
como falta,
como tatuagem latente sob a pele...
Vem, volta pra casa,
para que tudo possa brotar
dos abrigos sob a terra...
O que se vê na ida
não é o mesmo que se vê na volta,
nem nós somos os mesmos...
A realidade chuta o peito que não respira
e acerta em cheio
como um pênalti indefensável...
E eu volto a você desprotegida,
com o coração destroçado,
ansiando descansar em seu colo...
Vem, te anseio em exaustão,
em dúvidas,
mas não pretendo ser
vítima dos pensamentos,
nem de ideologias nefastas,
nem pretendo cair em desesperança...
Vem,
antes que todos se adormeçam...
vem colocar um curativo sobre nós...
Deixa nos reencontrarmos,
te amarmos novamente...
Porque enquanto uns destroem,
outros constroem...
E quem sabe - mudados,
sejamos enfim maioria...
prontos pra recebê-la
em concertos e poesias,
e juntos tocar tudo que restou
de humano desses dias...
Uma canção para a paz / Shir LaShalom
Raquel Teles Yehezel
Parque Yarkon, Tel Aviv, 28.03.2026.




