Ó lua,
Como pode tão distante,
mudar assim o meu humor...
Como pode tão distante,
trazer à tona tanto amor...
Fogo no horizonte,
ouro sobre o rio Yarkon,
prata entre os edifícios de Ramat Gan.
De bike pra casa, no ar gelado
do último dia de janeiro,
canto alto e sinto calor.
Ó lua,
Como pode tão distante
trazer tantos momentos?
E no lugar do sopro do mar,
beija meu rosto o ar puro do sertão,
trazendo a doce voz de minha mãe
entoando uma canção:
"Lua bonita,
se você não fosse casada,
eu faria uma escada
pra ir ao céu te beijar,
e misturava seu frio com meu calor,
pedia ao nosso Senhor
pra contigo me casar..."
Lua de fogo,
lua de ouro,
lua de prata.
lua bonita,
Ó, se você não fosse casada!
de Raquel Teles Yehezkel
Fotos de Raquel Teles Yehezkel - Parque Yarkon
quarta-feira, 31 de janeiro de 2018
terça-feira, 30 de janeiro de 2018
Amor em pedaços
Felicidade
é uma miragem,
inexiste.
Só
é tangível em pequenas doses,
se
vivida em pequenos momentos,
no
prazer da rotina,
em
gostar do que se faz.
Na
delícia de degustar um café cheiroso
e uma fatia de amor em pedaços,
na
certeza de ter ao lado alguém em quem se confia,
num
filho entrando e saindo de casa em vida agitada,
no
cheiro de pão quentinho,
num
encontro prazeroso entre amigos,
em
andar de bicicleta com vento no rosto,
em
tomar banho quente em dia frio,
num
trabalho que preenche,
na
leitura solitária,
numa
paisagem que descansa.
No
que está ao alcance.
Se
junto vêm momentos de gargalhadas,
viagens
a lugares maravilhosos,
um
amor que preenche,
isso
são grandes presentes da vida,
são
momentos que passam,
que
não se repetem com frequência
e
nem sempre dependem de nós.
Bons
momentos são tangíveis na rotina.
E
nela não há perfeição.
30.1.2018
Amor em pedaços é um doce de abacaxi
tradicional da cozinha mineira
quarta-feira, 17 de janeiro de 2018
Janeiro no Largo
Numa praça calorosa, aconchegante de boa vizinhança, no dia 14 do mês de janeiro, no comecinho do ano de 1961, numa casa muito alegre, nasceu de Dora, uma mãe cheia de vida, uma menininha igual a mãe dela e se chamou Carmem.
No dia 17, na casa ao lado, veio ao mundo, de Marilda, Rubens, recebendo nome ancestral, do hebraico: "Reu-ben = Vejam, um menino!" lindo, sorriso aberto e inteligente, primeiro neto e primeiro filho de uma familia orgulhosa de sua mais nova cria.
No dia seguinte, nesse mesmo largo, nasceu de Maria uma menina risonha, sapeca, lourinha, parecida com a irmã dela, a 12a filha de um casal cheio de filhos lindos, e recebeu o nome bíblico de Raquel.
No dia 6, seguindo a festa no Largo, nasceu Ângela, em casa colonial bem cuidada, cheia de passarinhos, após dois meninos-homens, a menina esperada; engraçada, leve, carinhosa, um anjo como a Neves que lhe deu a luz.
E cresceram ali, naquele Largo aberto, cheio de jovens e meninos, entre bolas de gude, papagaios altos no céu e carrinhos de rolimã; jogando bola, brincado de pegador e rolando na grama do Largo. Conhecendo essa história e a de seus antepassados; seguindo, ainda que distantes, a mesma camaradagem que um dia uniu os pais.
Guardam memórias coletivas dos que aí viviam; são conterrâneos, aparentados - pois nessa pequena Dores quase todos o são -, e guardam com carinho esse berço comum, imaginando como seria a vida de seus pais naquele tempo, cuidando lado a lado da criançada que vinha ao mundo unirem-se à história do Largo, às memórias que a muitos pertenciam.
No dia 17, na casa ao lado, veio ao mundo, de Marilda, Rubens, recebendo nome ancestral, do hebraico: "Reu-ben = Vejam, um menino!" lindo, sorriso aberto e inteligente, primeiro neto e primeiro filho de uma familia orgulhosa de sua mais nova cria.
No dia seguinte, nesse mesmo largo, nasceu de Maria uma menina risonha, sapeca, lourinha, parecida com a irmã dela, a 12a filha de um casal cheio de filhos lindos, e recebeu o nome bíblico de Raquel.
No dia 6, seguindo a festa no Largo, nasceu Ângela, em casa colonial bem cuidada, cheia de passarinhos, após dois meninos-homens, a menina esperada; engraçada, leve, carinhosa, um anjo como a Neves que lhe deu a luz.
E cresceram ali, naquele Largo aberto, cheio de jovens e meninos, entre bolas de gude, papagaios altos no céu e carrinhos de rolimã; jogando bola, brincado de pegador e rolando na grama do Largo. Conhecendo essa história e a de seus antepassados; seguindo, ainda que distantes, a mesma camaradagem que um dia uniu os pais.
Guardam memórias coletivas dos que aí viviam; são conterrâneos, aparentados - pois nessa pequena Dores quase todos o são -, e guardam com carinho esse berço comum, imaginando como seria a vida de seus pais naquele tempo, cuidando lado a lado da criançada que vinha ao mundo unirem-se à história do Largo, às memórias que a muitos pertenciam.
*****
A meus amigos de berço: Carmem Lopes de Lacerda, Rubens Lacerda Ribeiro, Ângela Machado Ribeiro, Simone Carvalho e Cida de Melo Silva, de dona Genuína, que apesar de não ter nascido no Largo, nasceu junto com o Rubens, um dia antes de mim, e se criou ali, bem pertinho da gente.
À direita, casa dos avós do Rubens
Foto retirada do Facebook, do grupo
Dores do Indaiá e suas Histórias
A meus amigos de berço: Carmem Lopes de Lacerda, Rubens Lacerda Ribeiro, Ângela Machado Ribeiro, Simone Carvalho e Cida de Melo Silva, de dona Genuína, que apesar de não ter nascido no Largo, nasceu junto com o Rubens, um dia antes de mim, e se criou ali, bem pertinho da gente.
Casa da Carmem
Foto de Fernanda de Lacerda Costa
Casa da Ângela ao fundo
Minhas irmãs Lucia e Olímpia com as amigas Maria Elisa, Zulmira, Maura e Piula
Casa da Raquel - do jornal O Liberal
Casa comercial da família Lacerda, que deu nome à Praça, antigo Largo de São Sebastião.
Print de filme sobre a história de Dores
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